Santo Agostinho

"A oração é a afetuosa expansão do espírito para Deus."

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Dizimistas Aniversariantes do mês de Março:

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A Comunidade - Carisma


Os Agostinianos Recoletos vivem em comunidade fraterna, desejam seguir e imitar a Cristo, casto, pobre e obediente; procuram a verdade e estão a serviço da Igreja; esforçam-se para conseguir a perfeição da caridade segundo o carisma de Santo Agostinho.

O carisma agostiniano resume-se no amor a Deus sem condição, que une as almas e os corações na convivência comunitária de irmãos, e que se orienta a todos os homens para trazê-los e uni-los em Cristo dentro da Igreja.

A Ordem dos Agostinianos Recoletos é, com todo direito, herdeira da família religiosa fundada por Santo Agostinho. Patrimônio espiritual da Ordem são a vida, a doutrina e a Regra de Santo Agostinho, assim como os exemplos de santidade e os trabalhos pelo Reino de Deus de tantos homens ilustres que, no decorrer dos séculos, deram esplendor à grande família agostiniana.

 

CARÁTER CONTEMPLATIVO DA ORDEM

Elemento primordial do patrimônio de Santo Agostinho e da Ordem é a contemplação, que é vida para Deus, vida com Deus, vida em Deus, vida do próprio Deus; contemplação é também entrega total e incondicional do homem a Deus. O religioso agostiniano recoleto procura a Deus e entrega-se inteiramente a ele.

O agostiniano recoleto sente que sua vida está orientada para Deus como fim último e único. O conhecimento e o amor de Deus, sem outra recompensa que o próprio amor, constituem o exercício do amor da contemplação, que é o principal negócio do religioso nesta vida, e que se convertera em felicidade perfeita no reino celestial.

 

CARÁTER COMUNITÁRIO DA ORDEM

A comunidade, segundo o propósito de Santo Agostinho, propõe-se a imitar aquela primeira comunidade cristã dos Atos dos Apóstolos: “para que vejais onde está descrita a forma de vida que desejamos viver plenamente... Já sabeis o que queremos: pedi a Deus para que possamos levá-lo à prática”. Os irmãos vivem entre si unânimes e concordes pela mesma caridade, pela qual são uma só alma e um só coração em Deus e para Deus: chegou o amor e com ele a unidade dos irmãos.

A comunidade edifica-se na Igreja de Cristo sobre o fundamento da caridade, como a verdadeira família daqueles que tem Deus como Pai, Cristo como Irmão e a Igreja como Mãe.

Desta forma, na comunidade ninguém tem coisa alguma como própria. Tudo é comum: comum a propriedade; comum o próprio Deus; comum a herança; comum a glória celeste; comuns à própria alma e a alma de todos os irmãos; “porque na verdade tua alma não é somente tua, mas de todos os irmãos; como também as deles são também tuas; melhor, suas almas juntamente com a tua não são muitas almas, mas uma só alma: a de Cristo”.

Os irmãos, na comunidade, amam-se como filhos de Deus e irmãos em Cristo, honrando reciprocamente o Espírito Santo de quem são templos vivos; entregam sua vida e tudo que lhes pertence ao serviço do amor; aceitam-se mutuamente e sabem perdoar; praticam com delicadeza a correção fraterna e a recebem com humildade e ajudam-se com orações diante de Deus.

Entre os membros da comunidade reina uma amistosa convivência em Cristo: todos os irmãos fomentam em diálogo franco e mútua confiança, socorrem os doentes, consolam os desanimados, alegram-se sinceramente com as qualidades dos outros e com seus triunfos como se fossem próprios; ajudam-se e completam-se, unem seus esforços no trabalho comum e cada um se encontra na outorga sincera aos outros.

Na prática da vida comum todos mostram-se contentes por sua vocação e pela companhia dos irmãos, de tal forma que a comunidade possa difundir o bom odor de Cristo.

 

CARÁTER APOSTÓLICO DA ORDEM

A comunidade é apostólica e seu primeiro apostolado é a comunidade: dedicada à oração e à prática das virtudes e unida no santo propósito da vida comum exerce seu apostolado fundamental.

O religioso contemplativo e comunitário é apóstolo generoso e eficaz, porque tem dentro de si o amor, cuja essência é dar e comunicar, cujo impulso natural é expandir-se entre os semelhantes para levá-los para Deus, para Cristo. O religioso age e trabalha para que todos amem a Deus com os irmãos e está sempre disponível para o serviço dos homens e da Igreja, segundo o carisma da Ordem.

Todos os membros da comunidade ajudam-se mutuamente tanto na ação quanto na contemplação: “Que vós trabalheis em nós, e nós possamos dedicar-nos à contemplação em vós”.

 

 

 
A Nossa Espiritualidade PDF Print Email
A Comunidade - Espiritualidade

1. Espiritualidade Agostiniana

A espiritualidade da Ordem é eminentemente agostiniana, pois a recoleção é um movimento dentro da Ordem de Santo Agostinho; é um brote do tronco agostiniano. Os documentos são e continuaram sendo a Regra de Santo Agostinho e a Forma de Viver.

 

Dois são os elementos essenciais da Ordem: o agostiniano e o recoleto. O primeiro elemento nos faz descendentes, herdeiros e continuadores de Agostinho de Hipona; o segundo nos compromete a viver uma vida de oração, recolhimento comunitário e apostolado.

 

Um agostiniano deve procurar cultivar em si os aspectos que alimentaram a vida espiritual do Bispo de Hipona:

1. Elemento Cristológico: Cristo era para Agostinho o centro de sua vida. Quando leu o Hortensio se desilusionou porque não encontro nele o nome de Cristo. Quando aparecem os maniqueus se adere a eles porque prometem ajudá-lo a buscar a verdade.

2. Elemento eclesial: Agostinho sempre esteve ao serviço da Igreja; não quis ser sacerdote mas aceitou porque os fieis lhe pediram; tampouco desejava o episcopado e aceitou por obediência. Desejava viver unicamente uma vida de comunidade com seus irmãos, porem, dedicou-se primeiramente ao cuidado de sua diocese de Hipona.

3. Elemento da caridade: no entendimento e vivencia dele como virtude que modera todos os exercícios de ação e contemplação. Daí a insistência do santo em ter uma só alma e um só coração dirigidos para Deus.

4. Elemento comunitário: Agostinho esta inspirado para uma vida em comum. Ser comunidade é algo essencial para o agostiniano, por tanto, viver em comunidade deve ser sua principal aspiração.

 

 

2. Espiritualidade recoleta

A recoleção é um processo ativo e dinâmico através do qual o homem ferido pelo pecado e movido pela graça, entra dentro de si onde encontra a Deus esperando-o e, iluminado por Cristo, mestre interior, se transcende a si mesmo, se renova segundo a imagem do homem novo que é Cristo e se pacifica na contemplação da Verdade.

 

O especial da vocação agostiniana recoleta é uma continua conversão a Cristo. Só com ajuda de Cristo, mediante uma purificação pela humildade, o homem pode entrar dentro de si mesmo onde encontrará os valores eternos, reencontra Cristo e reconhece aos irmãos. Esta interiorização é o principio de toda piedade. Esta é a recoleção, recolhimento, da forma de viver, caminho que leva diretamente à contemplação, à comunidade e ao apostolado.

 

A Recoleção nasce sob o impulso de alguns religiosos a uma maior perfeição de vida: Entre as diversas famílias religiosas encontra-se a Ordem dos Agostinianos Recoletos.

No século XVI, alguns religiosos agostinianos da Província de Castela, impulsionados por um especial carisma coletivo, desejariam viver, com fervor renovado e com novas normas, a forma de vida consagrada que Santo Agostinho fundou na Igreja, iluminou com sua doutrina e ordenou na sua santa Regra.

 

Os Padres Vogais do Capítulo de Toledo (1588), conscientes desta inspiração divina e não querendo opor-se ao Espírito Santo, determinaram que se escolhessem ou fundassem algumas casas nas quais fosse observada a nova forma de vida, segundo as normas que o definitório provincial desse para esta Reforma “que a piedade do Senhor suscitava, enviando seu Espírito”.

 

3. Consagração dos irmãos

O chamamento e a consagração comprometem o religioso a uma doação total a Deus, a uma imitação e a um seguimento mais livre e mais radical de Cristo, vivendo mais para ele e para seu Corpo, que é a Igreja.

Os religiosos da Ordem, em comunhão de caridade com os irmãos, caminham para a consagração perfeita, que será a comunhão com o Pai e com o Filho Jesus Cristo.

 

4. Comunidade orante

A oração ajuda os religiosos a descobrir a presença misteriosa de Deus no coração dos homens, para amá-los como irmãos. O Espírito de Jesus faz perceber, por meio da oração, as manifestações do amor de Deus na trama dos acontecimentos; desta forma, conseguir-se-á a síntese necessária entre orarão e vida.

 

A celebração da Eucaristia é o ato principal de cada dia, no qual a comunidade dos irmãos encontra-se reunida diante do altar de Cristo e anuncia a morte e ressurreição do Senhor.

 

Em todas as nossas casas celebrar-se-á digna e diariamente em comum a Liturgia das Horas. Em todas as casas haverá em comum meia hora de oração mental. A outra meia hora será feita no tempo e na forma que o Ordo Domesticus indicar.

 

Todas as comunidades e cada religioso amem filialmente e procurem imitar a Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, em cuja proteção se apóia a recoleção agostiniana.

 

Depois da Liturgia das Horas, deve ser considerado como uma das mais eficazes orações o terço, que será rezado diariamente, assim como o Angelus. Nos sábados e festas litúrgicas da Santíssima Virgem e na solenidade de São José cantem-se em comum a “Salve Rainha” e a antífona “Joseph”.

 

A devoção e o culto a São José, especial protetor da Ordem, constitua também parte da espiritualidade agostiniano-recoleta. Também sejam dadas particulares demonstrações de piedade filial a nosso Pai Santo Agostinho e medite-se o conteúdo de sua Regra e de sua doutrina espiritual e religiosa.

 

5. Comunidade penitente

A virtude da penitência exercita-se principalmente no cumprimento fiel e constante do dever, na aceitação das dificuldades que dimanam do trabalho e do contato com os homens e finalmente suportando com paciência e amor as vicissitudes desta vida transitória, da enfermidade e da morte.

 

Os irmãos façam todos os dias seu exame de consciência e aproximem-se freqüentemente do sacramento da Penitencial.

 

Ouvindo a Jesus Cristo que convida a negação de si mesmo, a tomar a cruz e a segui-lo, os irmãos, além de cumprir as penitências impostas pela lei eclesiástica, pratiquem outros atos de mortificação, especialmente nas sextas-feiras do ano, quartas-feiras da quaresma e no sábado santo.

 

6. Os irmãos doentes

São o tesouro da comunidade, pois, pela oblação de si mesmos, dilatam, com misteriosa fecundidade, as obras de apostolado. Os Superiores atendam com toda caridade, de acordo com as necessidades de cada um, os doentes e anciãos, dando-lhes conforto e coragem, “com a certeza de que servem o próprio Deus”.

Tenham todo o cuidado para que não lhes faltem os sacramentos da Penitência e Eucaristia.

 

7. Os irmãos defuntos

Quando morrer um irmão, professo ou noviço, a comunidade a que pertence celebre Missa exequial e uma Missa no primeiro aniversário de sua morte. Todos os sacerdotes da Ordem ofereçam uma Missa por ocasião da morte de cada religioso.

Todos os anos celebrem-se em todas as casas da Ordem três aniversários gerais de defuntos: primeiro, pelos familiares e parentes dos religiosos; segundo, pelos benfeitores defuntos. Terceiro, por todos os irmãos e irmãs defuntos da Ordem.

 

 

 

 
A Recoleção Agostiniana: Sua História PDF Print Email
A Comunidade - A Recoleção

1. De Santo Agostinho à Recoleção agostiniana

Para entender o nosso tema, faz-se necessário que voltemos inicialmente o olhar para a grande figura de Santo Agostinho e sua relação com a vida religiosa na Igreja. Santo Agostinho não fundou propriamente uma Ordem religiosa, até porque não existia este conceito no tempo em que viveu, entre os séculos IV e V. Muito embora seja reconhecido e venerado como Fundador.

 

Em sua fecunda experiência de cristão e de pastor da Igreja, o Hiponense teve a oportunidade de realizar algumas “fundações” particulares de comunidades locais, baseadas na vida comum segundo o evangelho e no desejo de servir à Igreja e difundir,na expressão do Apóstolo São Paulo, o “bom odor de Cristo” por meio de uma convivência exemplar, em outras palavras, evangelizar a partir da comunidade “religiosa” – diríamos hoje, então se empregava o termo técnico “servos de Deus”.

 

Uma vez que Santo Agostinho foi ordenado Bispo e chamado a presidir a Igreja de Hipona, dedicou aos irmãos de suas fundações o texto que ficou conhecido como a sua Regra. Juntamente com este texto, muitas de suas numerosas cartas e alguns de seus sermões trazem orientações preciosas para aqueles e aquelas (pois havia também comunidades femininas de inspiração análoga), congregados na unidade.

 

O patrimônio dos escritos e ensinamentos dos chamados Padres da Igreja, entre os quais refulgia sem dúvida o próprio Santo Agostinho, era a base sólida para estabelecer os princípios que norteassem as formulações teológicas, litúrgicas, canônicas, morais e, também, as estruturações que o fenômeno monástico iria, aos poucos, conhecendo. Todo um legado experimentava a necessidade de conservação.

 

Santo Agostinho morreu num período em que o norte da África, um dos centros mais pujantes da Cristandade antiga, testemunha da monumental obra de Santo Agostinho, via-se submetido à perseguição dos vândalos, perseguição esta que levou a que desaparecessem por completo muitas daquelas primeiras fundações e, em médio prazo, a que aquela Igreja sucumbisse numa penumbra da qual jamais se soergueria.

 

A palavra de ordem entre os cristãos sobreviventes era transferir, “transferir para salvar”: isto ocorreu no tocante aos livros, incluídos epistolário e sermonário, portadores da doutrina e da espiritualidade e, até fisicamente também, no que concerne às próprias relíquias do santo, que hoje descansam em Pavia, nas adjacências de Milão, na Itália.

 

A literatura que testemunha a perseguição sofrida pelos cristãos no norte africano, nos séculos V e VI, traz-nos alusões, pelo menos curiosas, a servos de Deus martirizados (hoje diríamos “religiosos”) cuja vida trazia inegáveis ressonâncias agostinianas. É notório também o testemunho da existência de fundações semelhantes em solo europeu, especialmente observado na obra de São Gregório Magno, de impressionante substrato doutrinal agostiniano.

 

Sob o império de Carlos Magno, cujo início, no século IX, assinala didaticamente o fim do período patrístico, devido a uma busca de uniformização daquela experiência inicial de vida cristã comunitária, institui-se a Regra de São Bento como única expressão do que se formalizava como vida monástica na Igreja. (Com profundos elementos agostinianos em sua espiritualidade).

 

Apesar de desalojada do ambiente monástico propriamente dito, a Regra de Santo Agostinho conheceu outras expressões visíveis no decorrer da Idade Média, nomeadamente em duas vertentes: a dos cônegos regulares e a dos eremitas.

 

Definições:

a) cônego (canonicus) era o clérigo afiliado ao serviço de uma igreja local sob a direção imediata do bispo – no século XII, a adoção da Regra de Santo Agostinho foi obrigatória para eles, daí “cônegos regulares”, uma modalidade de vida que ainda hoje existe na Igreja.

 

b) eremita era o cristão que, em comunidade ou sozinho, afastava-se do convívio social para buscar a Deus entre asperezas e mortificações, em lugares ermos.

 

O Concílio Lateranense II (1139) equiparará as regras de Santo Agostinho, São Bento e São Basílio Magno, esta última expressão do fenômeno monástico oriental. Por ser menos rígida e mais ampla, a Regra de Santo Agostinho seria então adotada por várias formas novas de vida consagrada que surgiam dedicadas à atenção de enfermos, à redenção de cativos ou à pregação.

 

Depois da ruralização da Idade Média, o ressurgir das cidades revigorava o ambiente urbano e o Espírito Santo, que sopra onde quer, inspirou na Igreja dos séculos XII e XIII a fundação do que então sim se começavam a chamar Ordens religiosas para responder às necessidades daquele mundo que surgia. Paralelamente à estrutura eminentemente rural dos mosteiros beneditinos, nasciam as Ordens mendicantes, de caráter urbano, compostas não por monges, mas por frades, habitando não mosteiros, mas conventos, verdadeiros centros de evangelização e de atenção pastoral às cidades nascentes. Era o tempo de São Francisco de Assis e São Domingos de Gusmão.

 

O Papa Alexandre IV, em 1256, procedeu à unificação de diversos grupos de eremitas italianos que viviam, em sua maioria, segundo a Regra de Santo Agostinho, sob o modelo mendicante, constituindo assim, pelo que se chamou Grande União, a Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, hoje conhecida como Ordem de Santo Agostinho ou simplesmente agostinianos. A carência de um fundador formal e de prestígio corporativo, e mais se comparados aos franciscanos e aos dominicanos cujos fundadores lhes eram contemporâneos, induziu ao culto à pessoa de Santo Agostinho, ao estudo de sua doutrina e ao apreço especial pela sua Regra.

 

Com o passar do tempo, e sob a influência do Renascimento, muitas destas Ordens conheceram períodos de grande relaxamento em relação aos primeiros fervores. Nos inícios do século XVI, começará a engendrar-se o que se conheceria como movimento recoleto.

 

Os agostinianos de Castela, uma das províncias em que a Ordem se dividia, viviam um momento de grande esplendor com frades verdadeiramente santos e exemplares, (Santo Tomás de Vilanova), porém, o autoritarismo de alguns superiores, os privilégios ou isenções da vida comum e as infrações quanto à pobreza deixavam muito a desejar e advogavam em favor de uma vida mais austera e espiritual.

 

Contando o espírito reformador do Concílio de Trento recentemente celebrado, a província de Castela, reunida em Capítulo, na cidade de Toledo, Espanha, em 1588, para como consta por escrito “não opor obstáculos à obra do Espírito Santo” autoriza a fundação do que se veio a chamar “casas de recoleção”, ou literalmente, conventos nos que se podia praticar uma forma de vida mais estrita. O grande mentor intelectual e espiritual do movimento foi o grande literato Frei Luís de Leon.

 

Características do movimento: apreço à Regra primitiva, vida comum e pobreza individual, asperezas e penitência, pobreza comum, oração e recolhimento, estudos e apostolado (sim, mas com certo receio...).

 

De modo paralelo, entre os agostinianos que viviam na América, surge um movimento semelhante na Colômbia, então reino da Nova Granada.

 

 

2. Recoleção agostiniana: seus primeiros passos e um duro golpe

A acolhida da iniciativa capitular logo se fez sentir entre os religiosos agostinianos de Castela, muito embora os novos superiores da província fariam, pouco a pouco, ouvir também as suas vozes descontentes com as fundações recoletas sempre mais numerosas. A convivência entre os frades começou a se fazer difícil. Com o apoio da Santa Sé, na pessoa do Papa Clemente VIII, autoriza-se em 1602, a criação de uma província religiosa recoleta dentro da Ordem agostiniana: a Província de Santo Agostinho dos frades recoletos. Tal era a vitalidade do movimento que, em 1605, aprovou-se a ida dos primeiros missionários recoletos às Filipinas. Os desentendimentos com o restante da Ordem eram cada vez mais intensos até que se consegue a supressão da província, que contava já com 23 conventos, sendo mais tarde reabilitada, depois de muitas gestões, em 1616. Procura-se imediatamente fundar na cidade de Roma, em 1619, para, junto à Santa Sé, fazer frente às investidas de alguns setores da Ordem e garantir a sobrevivência da Recoleção.

 

Cristaliza-se nesta época o sistema de vida que guiará a Recoleção durante dois séculos: conventos que giravam em torno da vida contemplativa na península, sem descuidar totalmente a atenção pastoral (púlpito, confessionário e enfermos, missões populares), paralelamente às missões nas Filipinas.

 

Em 1621, o Papa Gregório XV, erige a Congregação dos Frades Recoletos Descalços de Espanha e Índias, subdividindo-a em quatro províncias territoriais e mantendo-a ainda ligada à obediência do Superior geral agostiniano, governada porém, diretamente por um vigário geral, que, na prática, era quem exercia autoridade.

 

As quatro províncias da Congregação recoleta eram: Santo Agostinho de Castela, Nossa Senhora do Pilar de Aragão, Beato Tomás de Vilanova de Andaluzia e São Nicolau de Tolentino das Ilhas Filipinas, esta última com sede no longínquo arquipélago.

 

Adquire-se forte consciência de grupo com o fortalecimento das estruturas jurídicas, litúrgicas e com a pesquisa histórica das origens do movimento. Em cinqüenta anos de vida, tinham-se desenvolvido hábitos, interesses e atitudes vitais e espirituais que os afastavam cada dia mais dos agostinianos originais e forjavam assim uma nova corporação cujos membros já não se viam representados nem nas leis nem na liturgia e nem nos costumes da corporação que lhes tinha dado o ser.

 

Em 1666, não sem antes atravessar grandes dificuldades, a Recoleção americana, surgida paralelamente na Nova Granada, unifica-se com a Congregação, passando a constituir-lhe a quinta província, Nossa Senhora da Candelária.

 

A pujança espiritual da Recoleção foi característica de todo o século XVII, período de sua franca expansão, em que se contou entre outras coisas com verdadeiros incentivos: a canonização de Santo Tomás de Vilanova, padroeiro de uma de suas províncias (1658) e a beatificação de Rita de Cássia (1627), os primeiros martírios de recoletos no Japão, a implicação dos frades na peste que assolou a cidade de Roma entre 1641 e 1651.

 

O século XVIII, apesar de tudo isso, trouxe certa tibieza e imobilismo a esta organização. A sociedade espanhola era então, a grandes rasgos, uma sociedade sacudida pelo confronto entre liberais e conservadores: derrotada, empobrecida e sem maiores ideais. Perdia-se impulso e fervor místico e não se sabia se de fato as vocações ao claustro não representavam mais que tentativas de se escapar de uma crise social aguda. Juntamente a isso, e mesmo depois de iniciativas que procuravam superar a crise (o patrocínio de São José, 1699; o novo ritual musicado, 1735), conste que as intervenções civis e eclesiásticas foram minando a vida espiritual da Congregação.

 

Culminando o século XVIII e iniciando-se o XIX, com a crise napoleônica, chegou-se a um verdadeiro golpe fatal, a desamortização de 1835. O próprio termo entranha um preconceito típico dos soberanos então ditos ilustrados, devedores do Iluminismo. A Colômbia, já então nação independente, veria algo semelhante em 1861.

 

O que foi a desamortização?

Consistiu em colocar no mercado, mediante leilão, as terras e bens não produtivos em poder das assim consideradas «mãos mortas», quase sempre a Igreja Católica ou as ordens religiosas e territórios nobiliários, que os tinham acumulado com o passar dos anos como habituais beneficiárias de doações ou testamentos. Sua finalidade foi a de acrescentar a riqueza nacional e criar uma burguesia e classe média de lavradores proprietários. Além disso, o erário obteria ingressos extraordinários mediante os quais se pretendia amortizar os títulos da dívida pública.

 

Este processo se deu, na verdade, em diferentes etapas, porém, com a morte do rei Fernando VII, em 1833, e a regência de Maria Cristina de Bourbon, o ministro da Fazenda Juan Álvarez Mendizábal levou a cabo a terceira e mais profunda destas reformas, incluindo apenas bens da Igreja e das ordens.

 

No lapso de tempo entre 1834 e 1836, quase todos os conventos masculinos da Espanha tinham sido suprimidos e os religiosos obrigados a viver fora deles e a despojar-se do hábito. Os 33 conventos das três províncias agostinianas recoletas que estavam sediadas na península extinguiram-se e poderia ter sido este o triste fim da Congregação de agostinianos recoletos não fosse a permanência do convento de Monteagudo, na região de Navarra, cuja finalidade era a de preparar missionários para as Filipinas. Apesar de seus princípios contrários à vida religiosa, ao governo interessava manter o fluxo de missionários para a Ásia como instrumento da presença de espanhóis naquelas terras. Sem Monteagudo, a Recoleção não existiria como, de fato, se extinguiu entre os agostinianos de outras nações, também elas promotoras de desamortizações, tais como Portugal e França.

 

Despojada de seus conventos na Espanha e impedida de praticar a vida comum, a Congregação recoleta converteu-se numa corporação eminentemente missionária e apostólica, acomodando-se ao sistema de vida que, até então, desde a sua fundação em 1621, tinha sido próprio e exclusivo da província das Filipinas.

 

 

3. Reorganização da vida agostiniana recoleta

Em 1898, porém, a Revolução Filipina e a conseqüente independência daquele país produziu um novo choque na vida dos agostinianos recoletos, obrigados a deixar aquele arquipélago tão singularmente ligado à história da Congregação já fazia quase três séculos. Este fato esteve na origem da expansão que a Recoleção conheceria, a partir de então, pelo continente americano, uma vez que os poucos conventos existentes na Espanha não seriam suficientes para abrigar todos os religiosos que vinham expulsos do oriente. Mudaria, portanto, o campo de apostolado da Congregação, embora o apostolado em si continuasse a ser a característica mais visível da sua vida e espiritualidade.

 

Tem início com esta nova abertura de horizontes a fase que se conhece como a normalização da vida da Congregação e surgiu, com a primeira celebração de um Capítulo geral ordinário depois de muitos anos, em 1908, a idéia de restaurar as antigas províncias suprimidas com a desamortização.

 

Já a partir de 1888, Santo Ezequiel Moreno empreendera a heróica tarefa de restaurar a província colombiana de Nossa Senhora da Candelária, suprimida nos idos de 1861 por processo análogo ao que, décadas antes, tinha ocorrido na Espanha.

 

Desde a volta das Filipinas, tinham-se aberto casas novamente na Andaluzia, algumas das quais ainda existem e são já centenárias, nas cidades de Granada e Motril. Com estas e as já então existentes no Brasil, onde os agostinianos recoletos se faziam presentes desde 1899, restaurou-se aos 10 de junho de 1909, a Província de Santo Tomás de Vilanova, constituindo-se como a terceira província da Congregação, detrás da província de São Nicolau de Tolentino das Filipinas que nunca chegou a ser extinta e da província colombiana de Nossa Senhora da Candelária, então também recentemente restaurada.

 

Pouco tempo depois, os agostinianos recoletos seriam agraciados pelo Papa São Pio X com a autonomia jurídica plena em relação aos demais agostinianos, recebendo a até então Congregação o status de Ordem religiosa independente, subordinada a um Superior geral próprio, aos 16 de setembro de 1912: Ordem dos Recoletos de Santo Agostinho, mais tarde, Ordem dos Agostinianos Recoletos. Daí em diante, conheceria um progresso notável: das três províncias de então, hoje conta com oito.

 

 
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A Comunidade - Santo Agostinho
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Aurelius Augustinus, mais conhecido como Santo Agostinho nasce em Tagaste de Numídia, província romana ao norte da África em 13 de novembro de 354; primogênito do pagão Patrício e da fervorosa cristã Mônica. Criança alegre, buliçosa, entusiasta do jogo, travessa e amante da amizade, não gosta muito de estudar porque os mestres usam métodos agressivos e não são sinceros. Ante os adultos se revela como "um menino de grandes esperanças", com inteligência clara e coração inquieto.

 

Africano pela lei do solo, romano pela cultura e língua, e cristão por educação. Agostinho, jovem, de temperamento impulsivo e veemente, se entrega com afinco ao estudo e aprende toda a ciência do seu tempo. Chega a ser brilhante professor de retórica em Cartago, Roma e Milão.

 

Sedento de Verdade e Felicidade

Em sua busca afanosa vive longos anos com ânimo disperso. Vazio de Deus e agarrado pelo pecado, a vontade "seqüestrada", errante e peregrina, "enganado e enganador".

 

Mas, seu coração, sempre aberto à verdade, chega ao encontro da graça pelo caminho da interioridade, apoiado pelas orações de sua mãe, que na infância lhe havia marcado com o sinal da cruz.

 

Coração Sempre Jovem

Estando em Milão, no seu horto; uma voz infantil o anima - "Toma e lê" - a ler as Escrituras, ficando de repente iluminada a sua inteligência com uma luz de segurança e satisfazendo o seu coração – coração humano - coração grande de jovem; era o outono do ano 386.

 

Deixando a docência, retira-se a Cassicíaco, recinto de paz e silêncio e põe em prática o Evangelho em profunda amizade compartilhada: vida de quietude, animada somente pela paixão à Verdade. Assim se prepara para ser batizado na Primavera de 387 por Santo Ambrósio.

 

Inspirador da Vida Religiosa

De novo em Tagaste - a mãe morre no porto de Roma - vende suas posses e projeta seu programa de vida comum: probreza, oração e trabalho. Por seus dotes naturais e títulos de graça, cresce em torno dele um grupo de amizade e funda para a história o Monacato Agostiniano.

 

No ano 391 é proclamado sacerdote pelo povo, e cinco anos mais tarde, os cristãos de Hipona o apresentam para o Episcopado. Consagrado bispo de Hipona - título de serviço e não de honra - converte a sua residência em casa de oração e tribunal de causas. Inspirador da vida religiosa, pastor de almas, administrador de justiça, defensor da Fé e da Verdade. Prega e escreve de forma infatigável e condensa o pensamento do seu tempo.

 

O Primeiro Homem Moderno

Em 429 os vândalos, guiados por Genserico atravessam o Estreito de Gibraltar e atacam o norte africano. Agostinho "cercado com o seu povo" sente amargura e luto, alenta o ânimo de seus fiéis e os convida à defesa. No terceiro mês do assédio, aos 76 anos de vida, em 28 de agosto de 430, começa a viver na Cidade de Deus uma vida mais nobre.


Datas Importantes Em Sua Vida

 

ANO

IDADE

354

00

13 de Novembro. Nasce em Tagaste.

365

11

Inicia os cursos de educação geral em Madaura.

370

16

Volta a Tagaste.

371

17

Transfere-se para Cartago, a fim de estudar Retórica e Artes Liberais.

372

18

Morre o seu pai, Patrício.
Apaixona-se e junta-se a uma mulher.

373

19

Lê "O Hortênsio", de Cícero.
Torna-se maniqueu (seita filosófico-religiosa).
Provável nascimento de Adeodato, seu filho.

374

20

Regressa a Tagaste como professor de Gramática.

376

22

Morre um amigo íntimo.
Agostinho vai de novo a Cartago como professor.

383

29

Vai para Roma, onde continua a docência.

385

31

Depois de ganhar a Cátedra de Retórica da Casa Imperial, por concurso, vai para Milão.
Encontra-se com Santo Ambrósio, Bispo da cidade.

386

32

Outono: CONVERTE-SE À FÉ CATÓLICA.
Passa alguns meses em Cassicíaco.

387

33

Noite da Páscoa (24-25 de abril): É batizado em Milão.
Volta a África e morre sua mãe Mônica (santa), em Óstia Tiberina, porto de Roma.

388

34

Chega a Cartago e pouco depois a Tagaste.
Vende suas posses e funda o primeiro mosteiro.

391

37

É ordenado Sacerdote em Hipona.

395

41

É Sagrado Bispo Auxiliar.

396

42

Sucede ao Bispo Valério em Hipona.

400

46

Publica as "Confissões".

426

72

Publica a "Cidade de Deus".

430

76

Genserico ataca Numídia e cerca Hipona.
28 de agosto, Agostinho morre em Hipona.


Agostinho vive hoje na família Agostiniana que lhe reconhece como Pai, no culto da Igreja que o venera como Santo, em todas as almas recuperadas que lhe devem o seu retorno a Deus e nas mentes privilegiadas que o admiram por seu gênio fecundo.


Pessoas Influentes Na Sua Vida
Sua família Patrício - Pai, oficial
Sta.Mônica - Mãe, fervorosa cristã.
Navigio - Irmão, morreu jovem.
Perpétua - Irmã, religiosa dos primeiros mosteiros.
Melânia (?) - Mãe de seu filho Adeodato.
Adeodato - Seu filho, morreu jovem.


Seus companheiros e amigos
Alipio - Conterrâneo e discípulo.
Evódio - Membro do grupo em Milão.
Severo - Membro da 1ª comunidade.
Possídio - Autor da 1ª biografia e erudito cristão.
Nebrídio - Discípulo de Agostinho na Itália.


Suas motivações e inspirações
Romaniano - Rico, amigo da família.
Cícero - Poeta latino e autor de O Hortêncio.
Fausto - Chefe supremo dos Maniqueus.
Santo Ambrósio - Bispo de Milão.
S. Jerônimo - Grande estudioso e erudito cristão.
Ponticiano - Empregado da Corte Imperial.
Mario Victorino - Filósofo do século IV.


Obras mais importantes
As Confissões - Autobiografia.
A Cidade de Deus
A Trindade
Ensaios Filosóficos
Tratados Educacionais e Tratados Bíblicos
Sobre a Vida Religiosa, Dogmáticos e Apologéticos.


Lugares Mais Importantes Em Sua Vida
Tagaste • cidade natal • início dos estudos • primeira experiência como professor de gramática • primeiro mosteiro agostiniano.

Madaura • educação secundária.

Cartago • estudos superiores: artes liberais e retórica • primeira experiência como professor de retórica • sede de muitos concílios que participou como bispo • fundação de um mosteiro agostiniano.

Roma • capital do Império Romano • cátedra de retórica • lugar de repouso depois da morte de sua mãe.

Milão • residência do Imperador • cátedra oficial de retórica no palácio imperial • lugar da sua conversão e batismo.

Óstia Tiberina • porto marítimo de Roma • êxtase • morte e sepultura de sua mãe.

Cassicíaco • vila perto de Milão • lugar de retiro em companhia de seus amigos antes do batismo escreve vários tratados filosóficos em diálogo com seus amigos.

Hipona • sede diocesana de Agostinho onde foi ordenado Sacerdote e depois Bispo. Fundou três mosteiros; onde morreu e foi sepultado.

 

 

 
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27/03- 2ª FEIRA

MISSA EM HONRA A SANTA MÔNICA

17h30min

 

28/03 - 3ª FEIRA

OFICINA DE ORAÇÃO E VIDA

14h30min, maiores informações na secretaria paroquial

ESCOLA DE FÉ E CATEQUESE LUMEN CRHISTI

19h

MISSA EM HONRA A SANTO AGOSTINHO

17h30min

 

 

30/03 - 5ª FEIRA

AOS TEUS PÉS SENHOR

Adoração ao Santíssimo Sacramento - 19h30min

 

31/03 -6ª FEIRA

VIA -SACRA

16h30min

 

02/04 - DOMINGO

DOMINGO DO PÃO

Lembremo-nos de trazer os mantimentos para os mais pobres de nossa comunidade.

 

Catequese Paroquial

Inscrições e Reuniões: quartas -feiras às 18h30min e Domingos às 8h30min no Pátio do Colégio Santo Agostinho

ou após da missa das 10h.

 

  • Novo horário das missas dominicais:
  • 8, 10, 11:30, 17,18:30 e 20 hs.

Foi suprimida as missas das 7 e 8:30 e acrescentada a missa das 8h.

 

CURSOS DE NOIVOS 2016

DATAS:

12 de março

04 de junho

INSCRIÇÕES: http://cursodenoivospsm.com.br

 

CURSO DE BATISMO

Encontro de preparação para o batismo

Realizado na 2ª e 4ª quinta- feira do mês na capela da paroquia às 20h

Inncrições gratuitas na secretaria paroquial

PRÓXIMAS DATAS:

06 e 20 de abril